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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

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POLÍCIA CIVIL APREENDE 4,4 TONELADAS DE COCAÍNA EM GALPÃO EM SANTA CATARINA

A principal linha de investigação aponta para o mercado internacional, especialmente o Reino Unido e outros países da Europa

A Polícia Civil de Santa Catarina apreendeu 4.426,2 quilos de cocaína em um galpão localizado no bairro Nossa Senhora da Paz, próximo ao Posto Graal, às margens da BR-101, em Balneário Piçarras, no Litoral Norte catarinense. A operação foi realizada na quinta-feira (29) pela Delegacia de Combate às Drogas (DECOD) de Itajaí e resultou na prisão em flagrante de seis cidadãos britânicos.

Segundo a Polícia Civil, esta foi a maior apreensão de cocaína já registrada na história de Santa Catarina. A droga estava escondida em meio a uma carga de materiais de borracha utilizados na fabricação de pneus e câmaras.

Os seis estrangeiros foram autuados em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. De acordo com a corporação, o grupo estava no Brasil desde meados de setembro de 2026.

A principal linha de investigação aponta para o mercado internacional, especialmente o Reino Unido e outros países da Europa, como possível destino da cocaína.

O fato de todos os seis presos na operação serem cidadãos britânicos e o galpão ficar a uma distância de aproximadamente 25 a 27 quilômetros do Porto de Itajaí, reforça essa tese.

Entretanto, a origem da droga e a rota que seria utilizada para o transporte ainda estão sendo investigadas.

Investigação

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Marcelo Sampaio Nogueira, a operação foi resultado de aproximadamente um mês de investigação conduzida pela Delegacia de Combate a Drogas (DECOD), de Itajaí.

As primeiras informações sobre atividades suspeitas chegaram à polícia entre três e quatro semanas antes da operação. Os investigadores identificaram um furgão branco que permanecia estacionado em uma área isolada durante a noite e circulava pela região ao longo do dia.

Durante o monitoramento, os policiais observaram que pessoas chegavam ao local utilizando dois veículos alugados, um Hyundai Creta e um Nissan Kicks. Os automóveis eram deixados estacionados próximos ao furgão, e os ocupantes seguiam viagem utilizando a van.

A partir de consultas aos sistemas policiais e de levantamentos de inteligência, os investigadores identificaram que os veículos alugados estavam vinculados a dois cidadãos britânicos. A informação aumentou as suspeitas e levou ao aprofundamento do acompanhamento da movimentação.

— Nos chamou muita atenção quando focamos na van utilizada. Começamos a ter várias suspeitas desse movimento: por que eles chegavam com carros bons, deixavam esses automóveis junto à van e iam para algum lugar que ainda não sabíamos? — relatou Eduardo Dallo, delegado responsável pela DECOD de Itajaí.

Segundo os investigadores, inicialmente foi considerada a possibilidade de que o grupo estivesse transportando produtos alimentícios, como frango refrigerado. A hipótese perdeu força após uma análise do consumo de energia do imóvel indicar que o galpão não possuía estrutura compatível com o funcionamento de uma câmara fria.

As últimas 72 horas de investigação foram decisivas para a operação. Na quinta-feira (29), os policiais decidiram abordar o furgão no momento em que deixava o imóvel.

Dentro do veículo, foram encontrados materiais de borracha utilizados na fabricação de pneus e câmaras, além de aproximadamente cinco quilos de cocaína. Os cinco ocupantes foram abordados, e os policiais prosseguiram com as diligências no galpão.

Galpão

No interior do imóvel, os investigadores encontraram um sexto homem, que, segundo a Polícia Civil, era responsável por vigiar a carga. O galpão estava trancado pelo lado de fora com um cadeado.

No local, havia diversos paletes envolvidos em plástico-filme e protegidos por materiais de borracha, além de produtos químicos. O forte odor percebido pelos policiais levantou a suspeita de que esses produtos poderiam estar sendo utilizados para dificultar a identificação da droga por cães farejadores.

Durante a abertura dos paletes, os investigadores não encontraram cocaína nos primeiros conjuntos examinados. A droga foi localizada em um dos paletes armazenados no fundo do galpão.

Ao perceber que os policiais haviam encontrado o entorpecente, um dos suspeitos, que aparentava exercer posição de liderança no grupo e falava um pouco de português, teria informado que havia aproximadamente quatro toneladas de cocaína naquele setor.

Cães farejadores e perícia

A equipe solicitou apoio do Núcleo de Operações com Cães da Polícia Civil. Durante as buscas, o animal indicou a presença de mais entorpecentes entre os materiais armazenados.

Com o auxílio de uma balança encontrada no próprio galpão, os policiais contabilizaram aproximadamente 4.426,2 quilos de cocaína.

A Polícia Científica realizou exames periciais em amostras do material apreendido e confirmou que se tratava de cocaína.

Prisão em Flagrante

Os seis homens foram presos em flagrante e autuados por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo a Polícia Civil, a Embaixada do Reino Unido foi comunicada sobre as prisões, e os estrangeiros puderam entrar em contato com seus familiares no exterior.

Também foram apreendidos aparelhos celulares, que serão submetidos à análise para auxiliar na identificação da origem e do destino da droga, da logística de transporte e de possíveis outros envolvidos no esquema.

Após a apreensão, o entorpecente foi encaminhado à sede do Departamento de Investigação Criminal (DIC) de Itajaí.

A Polícia Civil informou que já havia representado à Justiça pela conversão das seis prisões em flagrante em prisões preventivas. A investigação continua para identificar os responsáveis pela carga e esclarecer se o grupo integra uma organização criminosa com atuação nacional ou internacional.

— Acreditamos veementemente que há uma organização criminosa por trás, dado o alto valor financeiro envolvido, mas a investigação dirá se é uma organização nacional ou internacional — afirmou o delegado-geral Marcelo Sampaio Nogueira.

Prejuízo estimado em mais de R$ 486 milhões

Segundo o delegado-geral, cada quilo da cocaína apreendida poderia ser comercializado no Reino Unido por aproximadamente R$ 110 mil.

Com base nessa estimativa, o valor potencial da carga ultrapassaria R$ 486 milhões, representando um expressivo prejuízo financeiro para o narcotráfico.

A Polícia Civil destacou que a apreensão representa a maior quantidade de cocaína já retirada de circulação em uma única operação no estado, enquanto as investigações continuam para esclarecer toda a cadeia logística e financeira envolvida no transporte do entorpecente.


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