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SINDAPORT VAI PEDIR ANISTIA POLÍTICA POR INTERVENÇÃO SOFRIDA DURANTE A DITADURA MILITAR

Sindicato quer apresentar requerimento coletivo à Comissão de Anistia e orientar associados e familiares sobre possíveis casos de perseguiçã...

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

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EUROPA IDENTIFICA LABORATÓRIOS CLANDESTINOS PARA REFINO DE COCAÍNA EM ESCALA INDUSTRIAL E ALERTA SOBRE NOVA DINÂMICA DO NARCOTRÁFICO

Remessas enviadas da América Latina em pasta-base ou “escondida” em produtos representam menor risco às organizações criminosas, segundo especialistas

Autoridades brasileiras têm sido alertadas nos últimos meses por investigadores e agências da Europa sobre uma mudança na dinâmica do tráfico internacional de cocaína a partir do Brasil: organizações criminosas transnacionais, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), têm enviado ao continente a droga em pasta-base ou ocultada quimicamente em materiais para exportação, para que a etapa final de extração seja feita em laboratórios clandestinos em território europeu e a cocaína refinada, pronta para consumo, seja vendida.

Assim, a Europa deixou de ser apenas um grande mercado consumidor e tem assumido papel cada vez mais relevante no processamento da droga. A informação consta em investigações da Polícia Federal e relatórios da Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA), e foi compartilhada em reuniões internacionais sobre novas dinâmicas do crime organizado. Em 2024, países da União Europeia desmantelaram pelo menos 42 laboratórios usados no processamento de cocaína em pó, 23,5% a mais do que em 2023.

Segundo a EUDA, as apreensões de pasta-base destinadas à Europa têm alcançado médias superiores a 700 quilos por operação, o que indica uma atividade em escala industrial. Holanda, Bélgica, Espanha e Portugal concentram boa parte dos laboratórios para refino da cocaína, enquanto os portos de Antuérpia (Bélgica) e Roterdã (Holanda) seguem como as principais portas de entrada da droga na União Europeia.

No ano passado, agentes da Guarda Civil, em conjunto com a Europol e a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA), apreenderam 21 tambores de produtos químicos usados na extração e processamento de cocaína em um laboratório clandestino nos arredores de Madri. Entre os presos estavam espanhóis e um colombiano, suspeitos de importar toneladas de cocaína e folhas de coca da América do Sul para a Espanha. O grupo fretava veleiros para levar a droga e recrutar jovens com experiência marítima e sem antecedentes criminais.

Em Portugal, a Operação Pacoba foi considerada uma das principais ações nos últimos anos na Europa. Os agentes estouraram um laboratório com capacidade industrial para extração, refino e empacotamento de cocaína. Sete pessoas presas (quatro cidadãos portugueses, dois colombianos e um marroquino) e 1,5 tonelada da droga apreendida, além de produtos químicos usados no processo ilegal.

Outro caso recente foi descoberto pela Polícia Federal, em São Paulo. Uma carga brasileira de produtos de higiene pessoal a caminho da Europa escondia a cocaína em frascos de xampu. A investigação começou com a informação de que os cosméticos estariam sendo contaminados depois de retirados da fábrica, antes da exportação.


Quando a denúncia surgiu, duas remessas já haviam sido enviadas para a Alemanha. A PF acompanhou estrategicamente a terceira remessa que seria retirada e contou com a cooperação internacional para apreender 403 litros de xampu que iriam para Berlim, com escala em Lisboa. Os detalhes foram revelados pelo Fantástico, no mês passado.

No Brasil, as investigações da Polícia Federal têm identificado tanto novas formas de ocultação em cargas comerciais, com o uso de técnicas de adulteração ou ocultação química, quanto a migração de parte dos grandes carregamentos para modalidades marítimas alternativas. Para a PF, essa mudança faz parte de um conjunto de transformações observadas na cadeia logística do narcotráfico.

Segundo Laurent Laniel, analista científico da Agência da União Europeia sobre Drogas, o fenômeno se tornou uma realidade consolidada. Ele explica que além da tradicional remessa de cocaína refinada e pronta para consumo, os traficantes passaram a enviar pasta-base ou a droga misturada quimicamente a materiais como plásticos e resinas para que a extração seja feita já em território europeu.

Laniel afirma que alguns desses laboratórios têm capacidade de recuperar até 200 quilos de cocaína por dia. “É mais do que um sinal de alerta, nós já sabemos que isto está a acontecer. É um dos métodos utilizados para traficar cocaína. Eles (traficantes) enviam químicos, como chamamos pessoas que sabem como extrair a cocaína do material de transporte para a Europa. Esses químicos, na maioria dos que foram apanhados em vários países da Europa, são colombianos, não são brasileiros. Mas não quer dizer que o dono da cocaína não seja um brasileiro”, afirma Laniel.

De acordo com as informações obtidas nas investigações até o momento, o PCC ainda é um dos principais fornecedores de cocaína para a Europa, mas ainda não há evidências de que integrantes da facção estejam diretamente ligados ao processamento da droga no continente europeu. O refino fica sob responsabilidade de outros grupos criminosos, que fazem negócios com o PCC e distribuem a cocaína para os países após a chegada dos carregamentos.

Um mapeamento do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) obtido com exclusividade pela GloboNews e pelo g1 mostrou que o PCC se instalou em pelo menos 28 países e se infiltrou em presídios no exterior para recrutar novos membros e expandir negócios com tráfico de drogas e armas, além da lavagem de dinheiro. O relatório tem sido apresentado a embaixadas e consulados fora do país para cooperação internacional no combate a crimes transnacionais em pelo menos quatro continentes.

Transformações na cadeia do narcotráfico internacional

A mudança nas formas de envio da cocaína para a Europa representa uma transformação importante na cadeia do narcotráfico internacional, segundo investigadores e especialistas em crime organizado e narcotráfico ouvidos pela GloboNews. Em vez de assumir os riscos de transportar cocaína refinada, pronta para consumo, grupos criminosos passaram a despachar a droga ocultada por processos químicos sofisticados. A estratégia reduz perdas em caso de apreensão e dificulta a identificação durante o transporte.

A Agência da União Europeia sobre Drogas já havia destacado o fenômeno relativamente recente de produtos intermediários da cocaína estarem sendo traficados em grandes quantidades para processamento na Europa, embora essas substâncias raramente sejam apreendidas em portos da União Européia.

Segundo a EUDA e com base no banco de dados da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), as apreensões de pasta-base destinadas à Europa têm alcançado médias de 733 quilos por operação, o que indica uma atividade em escala industrial.

O método mais utilizado para o processamento de extração da cocaína chamado —chemical concealment—, no qual a droga é incorporada a plásticos, papel, carvão, alimentos ou produtos químicos. Após a chegada aos portos europeus, laboratórios clandestinos realizam a separação e a “purificação” da substância.

“Obviamente escondê-la quimicamente é mais custoso, é mais chato, precisa de mais pessoas, mais químicos. Tem que ter aqui uma infraestrutura, um laboratório. Não é barato montar um laboratório para extrair. Aqui na Europa custa dinheiro, mas há quem faça. Mas nós vamos encontrar laboratórios que podem extrair até 200 kg de cocaína por dia. Isto quer dizer 1,4 tonelada por semana, quase 6 toneladas por mês de cocaína que podem ser enviadas escondidas assim. E repito: é uma de múltiplas modalidades que se utilizam para traficar cocaína desde a América do Sul”, relata o analista científico da UEDA, Laurent Laniel.

Na avaliação de Roberto Uchôa, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisador da Universidade de Coimbra, a mudança começou a ser percebida de forma mais clara a partir de 2016, quando autoridades europeias passaram a identificar laboratórios de extração e refino principalmente nos Países Baixos, na Espanha e na Bélgica.

Segundo ele, trata-se de uma lógica econômica do crime organizado. "O produto refinado vale mais, mas também gera mais custos e riscos. Ao transferir parte desse processamento para a Europa, as organizações diluem despesas e reduzem prejuízos em caso de apreensão", afirma.

À *GloboNews*, a Polícia Federal explicou que vem ampliando suas capacidades de investigação e de cooperação operacional no ambiente marítimo, com a atuação integrada da Marinha do Brasil e com autoridades estrangeiras, buscando identificar embarcações, tripulações, responsáveis financeiros e estruturas logísticas usadas para o transporte de grandes quantidades de cocaína em águas internacionais.

“A atuação repressiva, portanto, não se limita à apreensão da droga. Busca-se identificar e atingir toda a estrutura da organização criminosa, desde os responsáveis pela aquisição e preparação do entorpecente até financiadores, operadores logísticos, proprietários de embarcações, integrantes responsáveis pela lavagem dos recursos e destinatários localizados no exterior”, afirma a PF.

O consultor sênior do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, afirma que a mudança revela uma adaptação das organizações criminosas às ações de fiscalização. Segundo ele, o envio de produtos menos refinados reduz os riscos e custos para grupos como o PCC, que deixam de manter parte da estrutura de refino em território brasileiro.

"Você precisa ter imóveis, equipamentos, pessoal especializado e comprar insumos químicos. Tudo isso aumenta o risco da operação. A tendência parece ser compensar uma eventual perda de lucro com uma logística mais leve e menos vulnerável à repressão", avalia Langeani.

Outro fator apontado pelos especialistas é o crescimento da demanda europeia. Dados da EUDA mostram que as apreensões vêm batendo recordes sucessivos desde 2016. Em paralelo, a produção de cocaína nos países andinos também aumentou de forma significativa.

Dados do Relatório Mundial sobre Drogas da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2024 mostram que o mercado ilegal de cocaína atingiu seu recorde nos últimos anos. A alta é motivada por um aumento na oferta diante da alta produtividade na América Latina, mas também de um crescimento na procura pela droga em todo mundo

Polos de processamento

A Holanda é considerada hoje o principal polo europeu de processamento. Dos 42 laboratórios ou instalações de produção de cocaína desmantelados na Europa em 2024, 24 estavam no país. Em Nijeveen, a polícia encontrou em 2020 o maior laboratório de cocaína já descoberto no território holandês, com capacidade estimada entre 150 e 200 quilos por dia.

Portugal também ganhou destaque. Em dezembro de 2024, autoridades portuguesas desmontaram em Torres Vedras um dos maiores laboratórios de extração e transformação de cocaína da Europa. A operação resultou na apreensão de 1,5 tonelada da droga e na prisão de sete pessoas.

As investigações indicam ainda uma crescente circulação de conhecimento técnico entre a América do Sul e a Europa. Segundo Uchôa, operações recentes identificaram latinos trabalhando ao lado de europeus em laboratórios clandestinos, o que evidencia a transferência de expertise entre organizações criminosas.

Já Laniel afirma que muitos dos químicos responsáveis pela extração e refino da cocaína na Europa são colombianos enviados justamente para garantir que o processo ocorra sem perdas. Segundo ele, os donos da droga e os especialistas contratados para extraí-la costumam desempenhar funções diferentes dentro da cadeia criminosa.

Brasil com papel central no narcotráfico

O Brasil segue ocupando papel central nesse mercado. Atualmente, a principal fonte de financiamento do PCC é o tráfico internacional de cocaína para a Europa, segundo o Ministério Público de São Paulo. Cerca de 90% da cocaína que deixa o Brasil é exportada por via marítima, e uma parcela significativa desse tráfico é direta ou indiretamente gerida pelo PCC. Depois disso, a droga é entregue a outros grupos criminosos, que processam e/ou distribuem a droga em território europeu.

Para Bruno Langeani, esse cenário reforça a necessidade de ampliar a cooperação internacional. Ele avalia que as organizações criminosas operam hoje em uma lógica globalizada e altamente flexível, exigindo troca constante de inteligência entre as autoridades dos dois lados do Atlântico.

A mesma avaliação é compartilhada por Laurent Laniel, da Agência da União Europeia sobre Drogas. Segundo ele, o grande desafio atual não é apenas interceptar carregamentos, mas atingir as estruturas de intermediação responsáveis por conectar produtores, transportadores e compradores em diferentes continentes. Essas redes frequentemente operam à distância, coordenando remessas, preços e logística sem sequer tocar diretamente a droga.

Para os especialistas, a expansão dos laboratórios europeus é um sinal de que o narcotráfico atravessa uma nova fase. A Europa já não atua apenas como mercado consumidor. Cada vez mais, tornou-se também uma etapa da própria cadeia produtiva da cocaína.

Procurada, a Polícia Federal disse que mantém cooperação permanente com o Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics (MAOC-N) e com a Europol, e contato com autoridades policiais de diversos países europeus.

E que esse intercâmbio permite o compartilhamento de informações sobre embarcações suspeitas, tripulações, empresas, rotas marítimas, movimentações financeiras, estruturas criminosas e destinatários dos carregamentos, possibilitando que uma investigação iniciada no Brasil produza medidas operacionais na Europa e, da mesma forma, que uma apreensão realizada em território europeu dê origem a investigações, prisões e medidas patrimoniais no Brasil.

O que diz a PF

"A Polícia Federal atua permanentemente no acompanhamento das alterações das rotas e dos modus operandi empregados pelas organizações criminosas transnacionais. Essa atuação compreende investigações de Polícia Judiciária, produção e intercâmbio de inteligência, fiscalização em portos e aeroportos, identificação das estruturas logísticas utilizadas para a movimentação da droga, rastreamento de ativos e fluxos financeiros, prisão de lideranças e descapitalização das organizações criminosas. No ambiente marítimo, a Polícia Federal vem ampliando suas capacidades de investigação e de cooperação operacional, inclusive mediante atuação integrada com a Marinha do Brasil e com autoridades estrangeiras, buscando identificar embarcações, tripulações, responsáveis financeiros e estruturas logísticas utilizadas para o transporte de grandes quantidades de cocaína em águas internacionais.

A atuação repressiva, portanto, não se limita à apreensão da droga. Busca-se identificar e atingir toda a estrutura da organização criminosa, desde os responsáveis pela aquisição e preparação do entorpecente até financiadores, operadores logísticos, proprietários de embarcações, integrantes responsáveis pela lavagem dos recursos e destinatários localizados no exterior.

A Polícia Federal acompanha continuamente a evolução das rotas, formas de ocultação e métodos empregados pelo tráfico internacional de drogas. Esse acompanhamento não está restrito à hipótese de processamento da cocaína em território europeu, mas compreende o conjunto de transformações observadas na cadeia logística do narcotráfico. As investigações têm identificado tanto novas formas de ocultação em cargas comerciais, inclusive com emprego de técnicas de adulteração ou ocultação química, quanto a migração de parte dos grandes carregamentos para modalidades marítimas alternativas.

A Polícia Federal mantém cooperação permanente com o Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics (MAOC-N) e com a Europol, além de relacionamentos bilaterais e canais diretos de intercâmbio com autoridades policiais de diversos países europeus, a exemplo da Polícia Judiciária de Portugal, Policía Nacional e Guardia Civil da Espanha, autoridades francesas e britânicas, entre outras. Esse intercâmbio permite o compartilhamento de informações sobre embarcações suspeitas, tripulações, empresas, rotas marítimas, movimentações financeiras, estruturas criminosas e destinatários dos carregamentos, possibilitando que uma investigação iniciada no Brasil produza medidas operacionais na Europa e, da mesma forma, que uma apreensão realizada em território europeu dê origem a investigações, prisões e medidas patrimoniais no Brasil."

Autora/Fonte: Por Isabela Leite, GloboNews e g1 SP — São Paulo


* Esclarecemos que a a publicação é de inteira responsabilidade do autor e do veículo que a divulgou. A nossa missão ao republicar é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor.  O espaço está aberto para a manifestação das pessoas e empresas citadas nesta reportagem.     

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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

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INFLUENCIADORA E ADVOGADO SÃO PRESOS SUSPEITOS DE COMANDAR ESQUEMA DE TRÁFICO INTERNACIONAL DE DROGAS LIGADO À MÁFIA ITALIANA

Segundo a Polícia Federal, Paula Simões e Patrick Cardoso assumiram as operações criminosas após a prisão de integrantes da 'Ndrangheta, em 2019.

Uma investigação conjunta das polícias do Brasil e da Itália revelou um esquema milionário de tráfico internacional de drogas ligado à 'Ndrangheta, uma das principais organizações mafiosas italianas. Segundo a Polícia Federal, a influenciadora digital Paula Simões e o advogado Patrick Cardoso comandavam operações de envio de cocaína para a Europa a partir de portos brasileiros.

Os dois foram presos em uma operação que faz parte de uma série de investigações iniciadas em 2019, quando Nicola Assisi e o filho, Patrick Assisi, integrantes da máfia da Calábria, no sul da Itália, foram encontrados escondidos em Praia Grande, no litoral de São Paulo.

Paula é casada com Patrick Assisi e, segundo os investigadores, assumiu a representação dos negócios criminosos do marido após a prisão dele. O advogado Patrick Cardoso, que defendia os mafiosos, teria atuado como intermediário entre os presos e os integrantes da organização que continuavam em liberdade.

O esquema

Os criminosos contratavam a logística de Paranaguá para exportar grandes quantidades de cocaína para o exterior, e também usavam doleiros para fazer essa movimentação financeira.

O Fantástico mostrou como quadrilhas atuavam no porto para esconder drogas dentro de contêineres, muitas vezes a serviço da máfia italiana, que continuou operando mesmo após a prisão de Nicola e Patrick Assisi.

"'A esposa de um desses mafiosos trocava muitas mensagens com um advogado, que era quem os representava quando foram presos, tratando sobre fornecedores de droga, pagamento de dívidas. E conversas ali com um indicativo muito forte de atuação do narcotráfico internacional", afirmou Eduardo Verza, delegado da Polícia Federal.

Segundo a Polícia Federal, Patrick Cardoso se aproveitava das prerrogativas da advocacia e do contato privado com os clientes presos para transmitir recados dos mafiosos. Os investigadores identificaram fotografias de bilhetes e dos próprios integrantes da máfia feitas dentro da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Nos bilhetes, os mafiosos davam orientações sobre os negócios da organização criminosa, incluindo informações sobre pessoas que deviam dinheiro ao grupo.

Em uma das cartas, Patrick Assisi orientava a esposa, Paula, a enviar um comparsa conhecido como 'BXX' para recuperar todo o dinheiro e os bens que pudessem ser vendidos.

O depoimento de um integrante da própria 'Ndrangheta, na Itália, ajudou a confirmar que havia uma nova liderança da organização criminosa no Brasil.

Investigação

Em 2020, Brasil e Itália, com apoio da Interpol, passaram a investigar juntos as operações criminosas dessa máfia italiana — tanto aqui no Brasil como em vários países da Europa — e descobriram que o grupo criminoso abriu uma "exceção" para a influenciadora Paula Simões ser a representante deles por aqui.

"Pelas próprias regras da máfia, normalmente, a mulher não tem tanto protagonismo. Mas nesse caso, sim", revelou o delegado Verza, responsável pelo caso.

No celular de Patrick Cardoso, foram encontradas fotos dele com drogas e grandes quantias de dinheiro. Segundo a polícia, o advogado também se aproveitava da profissão para desenvolver atividades criminosas com integrantes do Comando Vermelho.

Fotos encontradas no celular do advogado patrick cardoso, com drogas e grandes volumes de dinheiro - Foto: reprodução TV Globo

Quando Paula e o advogado Patrick assumiram os negócios ilícitos, o grupo tinha mais de duas toneladas de cocaína em estoque. Em conversas interceptadas pela investigação, realizadas por meio de um aplicativo usado exclusivamente por criminosos, os comparsas do marido de Paula discutiam acertos relacionados ao tráfico de drogas.

Segundo a polícia, em uma conversa em italiano, Paula acerta com mafiosos o envio de 400 quilos de cocaína para a Europa.

Traficante: "Qual é o preço do seu material?"

Paula: "4.800, amigo."

Traficante: "Em Paranaguá, certo?"

Paula: "Eu vou tirar fotos esta semana, ok?"

Traficante: "É importante que seja top."

Paula: "Porém, para mandar para Paranaguá, com o frete, fica 5150, ok?"

Para a polícia, as mensagens deixam claro que Paula e Eduardo eram os representantes dos Assisi fora da cadeia.

"BXX" é Franklin Rodrigues de Oliveira, que integrava a quadrilha desde a época em que Nicola e Patrick Assisi ainda estavam soltos. Ele era o responsável pelas remessas de drogas e pelos pagamentos do grupo.

Franklin também atuava como elo entre integrantes da máfia italiana 'Ndrangheta e facções criminosas brasileiras.

Ele era sócio de Willian Barile, preso em 2025 e conhecido como um "faz-tudo" do Primeiro Comando da Capital (PCC). Durante a operação policial, Franklin tentou fugir, mas acabou preso em uma garagem.

""A gente tem visto que a 'Ndrangheta teve a capacidade de desenvolver relações estreitas e fortes com organizações sul-americanas, como os cartéis colombianos, assim como o PCC e o Comando Vermelho do Brasil", disse Andrea Caputo, coronel da polícia italiana.

O que dizem as defesas

Os advogados de Franklin Rodrigues de Oliveira afirmaram que não vão comentar as acusações contra o cliente e que vão demonstrar a inocência dele à Justiça.

A defesa de Patrick Cardoso afirmou que o advogado sempre atuou dentro dos limites da advocacia ao longo de 25 anos de carreira e que já apresentou um pedido de revogação da prisão preventiva.

O advogado de Paula Simões afirmou que ela nega todas as acusações e que nenhuma droga foi apreendida com ela. Segundo a defesa, a suspeita de que as atividades criminosas teriam continuado após a prisão dos Assisi são inferências da autoridade policial, não fatos comprovados.

Segundo a polícia, o grupo comandado pelos mafiosos liderava um esquema de tráfico internacional de drogas que movimentou quantias incalculáveis de dinheiro.

Fonte: g1globo – Programa Fantástico– Rede Globo


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terça-feira, 13 de outubro de 2026

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GUARDA PORTUÁRIA É HOMENAGEADA PELA PREFEITURA DE GUARUJÁ

A homenagem foi concedida em razão da parceria com a SEMOB nos Cursos de Formação e Atualização de Agentes de Trânsito

A Guarda Portuária (GPort), vinculada à Autoridade Portuária de Santos (APS), foi homenageada pela Prefeitura de Guarujá durante a cerimônia de entrega do 10º Prêmio Cidadão do Trânsito. O evento contou com a presença do prefeito Farid Madi, do vice-prefeito Toninho Salgado e do secretário municipal de Mobilidade Urbana, Marco Antônio.

Realizada pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) em 30 de setembro, no Teatro Municipal Procópio Ferreira, a solenidade também homenageou a Polícia Militar e reconheceu os trabalhos desenvolvidos por alunos, professores e unidades escolares participantes do projeto.

Guarda Portuária

A homenagem à Guarda Portuária foi concedida em razão do fortalecimento de uma parceria com a SEMOB ao longo dos dois últimos anos, na capacitação dos guardas portuários ministrado pelos instrutores daquele órgão.

A parceria também contempla as operações de fiscalização conjuntas, como a Operação Trânsito Mais Seguro, em locais estratégicos do município, e a Operação Controle, voltada à fiscalização de transporte de passageiros clandestinos, além do apoio mútuo e rotineiro nas coordenações de via que fazem a interface porto cidade.

A Guarda Portuária foi representada pelo Setor de Trânsito, com presença do Coordenador Rockko e do Encarregado João Paulo e dos integrantes da ROCAM Nascimento e Bason. 

O coordenador do Setor de Trânsito da Guarda Portuária,  Rockko (a direita) recebeu o prêmio

Educação para um trânsito mais seguro

O Prêmio Cidadão do Trânsito é uma iniciativa da Prefeitura de Guarujá voltada à educação para o trânsito nas escolas da rede municipal de ensino. A proposta utiliza atividades lúdicas, criativas e participativas para estimular a reflexão sobre segurança viária e convivência no espaço público.

10º Prêmio Cidadão do Trânsito da Prefeitura Municipal de Guarujá

Em 2026, o projeto tem como tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, incentivando crianças e adolescentes a refletirem sobre respeito, responsabilidade, empatia e prevenção de acidentes.

Desenvolvida pela Diretoria de Trânsito da Semob, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Seduc), a iniciativa envolve estudantes da Educação Infantil e dos ensinos Fundamental I e II.

Ao longo do ano letivo, os alunos participam de atividades pedagógicas e produzem trabalhos relacionados à segurança no trânsito, de acordo com a faixa etária e o nível de ensino.

Por meio de desenhos, produções artísticas, textos e outras formas de expressão, os estudantes são incentivados a compreender o trânsito como um espaço coletivo, no qual as atitudes individuais podem contribuir para a segurança de todos. Professores e equipes gestoras também participam das atividades, reforçando o caráter educativo e coletivo do projeto.

Empatia e segurança viária

A edição de 2026 destaca a importância de considerar as necessidades dos diferentes públicos que compartilham as vias, como pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas, crianças, idosos e pessoas com deficiência.

A proposta é contribuir para a formação de cidadãos mais conscientes e responsáveis desde a infância, associando o conhecimento das regras de circulação a valores como respeito, empatia e cuidado com o próximo.


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* Texto: O texto deste artigo relata acontecimentos, baseado em fatos obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis e dados observados ou verificados diretamente junto a colaboradores.

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