O responsável da PJ afirmou que os logotipos estampados
nos tabletes de cocaína podem fornecer elementos para identificar a origem
A Polícia Judiciária
(PJ) de Portugal informou, no último sábado (27), a apreensão de 2.627 quilos de
cocaína transportados em uma embarcação de alta velocidade interceptada em
águas internacionais, a cerca de 50 milhas náuticas a sudoeste do Cabo
Espichel.
A ação, batizada de “Operação
Buongiorno", foi conduzida pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de
Estupefacientes da Polícia Judiciária, em articulação com a Marinha Portuguesa,
a Autoridade Marítima Nacional, por meio da Polícia Marítima, e a Força Aérea
Portuguesa.
Segundo a PJ, a ação
permitiu desarticular um grupo criminoso investigado por introduzir grandes
carregamentos de cocaína no continente europeu utilizando embarcações de alta
velocidade (EAV).
Cooperação internacional
De acordo com as
autoridades italianas, a operação foi coordenada pela Direção Distrital
Antimáfia (DDA) de Brescia e contou com a participação da Guardia di Finanza,
em cooperação com autoridades portuguesas e espanholas.
A interceptação foi
precedida de monitoramento aéreo realizado por aeronaves italianas especializadas
em vigilância marítima.
Também participaram
equipes do Comando Operacional Aeronaval e do Serviço Central de Investigação
sobre a Criminalidade Organizada (SCICO), da Guardia di Finanza.
Abordagem
Segundo João
Oliveira, responsável pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de
Estupefacientes da Polícia Judiciária, a embarcação foi interceptada na
quinta-feira (23).
Durante entrevista
coletiva realizada na sede da PJ em Lisboa, juntamente com responsáveis da
Marinha e da Força Aérea, o investigador informou que havia indícios da
presença de outras embarcações na mesma área marítima, mas que as equipes
optaram por abordar aquela que apresentava maiores indícios de transportar
drogas.
O comandante da
Marinha Portuguesa, Ricardo Sá Granja, informou que a tripulação desobedeceu à
ordem inicial de parada, o que deu início a uma perseguição: “Houve uma
primeira ordem de paragem que não foi respeitada e seguiu-se uma perseguição por
parte de duas embarcações da Polícia Marítima, que culminou na detenção dos
suspeitos”.
Segundo o
comandante, a lancha possuía quatro motores de 400 cavalos de potência cada,
capazes de proporcionar velocidade superior a 100 km/h.
Elisabete de
Carvalho, da Força Aérea Portuguesa destacou a cooperação interagências e a
partilha de informação "que permitiram o sucesso de toda a operação",
sem adiantar detalhes.
Além da droga, foram
apreendidos equipamentos de navegação e outros materiais utilizados no
transporte da carga ilícita.
Detidos
Foram presos quatro
homens: dois cidadãos espanhóis, um cidadão britânico oriundo de Gibraltar e um
cidadão albanês residente na Itália, com idades entre 35 e 42 anos.
Os suspeitos foram
apresentados à Justiça portuguesa para o primeiro interrogatório judicial.
João Oliveira
informou ainda que um dos presos já era conhecido da Polícia Judiciária por
investigações anteriores relacionadas ao tráfico marítimo de cocaína, sem
revelar sua identidade.
Origem da droga
Durante a coletiva,
João Oliveira afirmou que os logotipos estampados nos tabletes de cocaína podem
fornecer elementos para identificar a origem da droga.
Segundo ele:
"É cocaína que
vem da América do Sul e os produtores costumam colocar uma marca, um timbre,
uma chancela da sua produção."
O investigador
ressaltou, entretanto, que não divulgaria detalhes sobre essas marcas para não
comprometer as investigações em andamento.
Até o momento, as
autoridades portuguesas não confirmaram oficialmente o país de origem da
cocaína.
Valor estimado
Segundo João
Oliveira, ainda não foi possível determinar o grau de pureza da droga.
Apesar disso, a
experiência da Polícia Judiciária indica que a carga apresentava elevado grau
de pureza, em razão da forma de acondicionamento, da rota utilizada e do meio
empregado para o transporte.
Segundo as
autoridades italianas, o preço de compra tem um valor de mercado estimado em
cerca de 78 milhões de euros (aproximadamente R$ 453 milhões).
Segundo essa mesma
estimativa, caso fosse distribuída no mercado varejista europeu, poderia
alcançar aproximadamente 500 milhões de euros (cerca de R$ 2,9 bilhões).
Investigação
Segundo a Polícia
Judiciária, a investigação teve início a partir de informações compartilhadas
pelo Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics (MAOC-N), no âmbito da
cooperação internacional e em estreita colaboração e articulação com as autoridades
policiais da Itália.
As diligências
permitiram acompanhar a movimentação da embarcação até a interceptação em
alto-mar.
As autoridades
também afirmaram que organizações criminosas têm recorrido cada vez mais ao uso
de embarcações de alta velocidade, normalmente entre 10 e 16 metros de
comprimento e equipadas com diversos motores de alta potência, capazes de
atingir velocidades superiores a 70 nós (cerca de 130 km/h), o que dificulta a
atuação das forças de segurança.
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