Como a preparação rigorosa contribui para tornar militares
aptos a apoiar o Estado nas operações de busca e apreensão
O acionamento de
mergulhadores da Marinha do Brasil (MB) em ações de combate ao tráfico de
drogas nos portos brasileiros tem exposto uma nova técnica utilizada pelo crime
para burlar a fiscalização: a de ocultar a carga ilícita nos cascos de
embarcações mercantes com destino à Europa e à Ásia, escondida em uma cavidade
do casco responsável por captar água do mar e refrigerar o maquinário. Esses
compartimentos, conhecidos como sea chests ou caixas de mar, estão localizados
a cerca de 10 metros de profundidade, o que torna a ação complexa e arriscada.
Na mais recente
operação conjunta com a Polícia Federal (PF) a Receita Federal do Brasil
(RFB) e a Guarda Portuária (GPort), no Porto de Santos, em maio deste ano, os militares encontraram mais de
340 kg de cocaína no casco do Navio Mercante “Green K-Max 1”.
LEIA TAMBÉM: OPERAÇÃO INTERAGÊNCIAS LOCALIZA E APREENDE 341,75 KG DE COCAÍNA NO PORTO DE SANTOS
Desde 2020, quando
começaram a ser requisitados para esse tipo de ação, os mergulhadores da
Marinha lotados no Comando do Grupamento de Patrulha Naval do Sul-Sudeste
(ComGptPatNavSSE), em Santos (SP), já contribuíram com a apreensão de mais de 4
toneladas de drogas, após abordagem a cerca de 300 cargueiros.
Uma das mais
significativas apreensões aconteceu em abril de 2023, antes do decreto federal
que autorizou o emprego das Forças Armadas em Operação de Garantia da Lei e da
Ordem (GLO) em portos e aeroportos naquele ano.
“Com marcos importantes, apreendemos, em 2023, 780 kg de drogas em um único navio e, recentemente, em maio de 2026, realizamos nossa última apreensão, 341 kg”, conta um Mergulhador Escafandrista do ComGptPatNavSSE com 23 anos de especialização, cuja identidade será mantida sigilo por questões de segurança.
Assista ao vídeo da operação mais recente no Porto de Santos:
Apesar
de ser uma frente de atuação recente, a complexidade e o risco são elementos
com os quais os escafandristas já estão acostumados. Nosso dia a dia é
operar embaixo dos cascos dos navios da Marinha para realizar reparos ou
manutenções. Somos a maior referência nesse assunto”, explica o Encarregado da
Seção de Mergulho a Ar do Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila
Monteiro Aché (CIAMA), Capitão de Corveta (Mergulhador Escafandrista) Phillip
da Silva Mendes.
O CIAMA é a
instituição voltada para formação militar nas áreas de submarinos, mergulho e
operações especiais. Segundo o Oficial, o mergulho de abordagem a cascos de
navios mercantes está cada vez mais recorrente, o que motivou a inclusão do
tema nos cursos de mergulho.
Os mergulhadores
também aprendem natação de resgate a partir de navios e aeronaves, técnicas de
socorro, corte e solda submarina, salvamento e reparo subaquático, e diferentes
modalidades de mergulho – autônomo, dependente e saturado.
Formação rigorosa
Para se tornarem
referência nessa atividade, os militares atravessam uma formação rígida.
Segundo o Capitão de Corveta (Mergulhador Escafandrista) Silva Mendes, a
proporção de alunos que desistem do curso ou que não atingem os requisitos
mínimos exigidos chega a cerca de 50%. “O aluno é submetido a diversos testes
debaixo d’água, possuindo pouco tempo para executá-los e muitas vezes com
privação da respiração. A aquacidade (competência, domínio e conforto do
mergulhador no ambiente aquático) e o controle emocional são imperativos,
tornando-se grandes divisores de águas”, avalia.
Confira o episódio do Isso é Marinha, sobre os Mergulhadores Escafandristas:
Após o curso, os
militares são designados para a Base de Socorro e Salvamento Submarino
Almirante Castro e Silva (BACS), o Navio de Socorro Submarino (NSS)
“Guillobel”, os Grupamentos de Mergulho vinculados aos Distritos Navais de todo
o Brasil, além da Escola de Mergulho do próprio CIAMA. “Em todos os locais,
estão aptos a realizar mergulhos tanto para socorrer e salvar vidas, materiais
e embarcações, como para realizar diversos reparos e apoiar em qualquer tipo de
serviço submerso”, explica o Capitão de Corveta (Mergulhador Escafandrista)
Silva Mendes.
Autora/Fonte: Por Capitão-Tenente (RM2-T) Daniela Meireles - Agência Marinha de Notícias
* Esclarecemos que a a publicação é de inteira responsabilidade do autor e do veículo que a divulgou. A nossa missão ao republicar é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor. O espaço está aberto para a manifestação das pessoas e empresas citadas nesta reportagem.
















