Medidas foram intensificadas após a OMS declarar
Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional para o surto de vírus
Bundibugyo na África
A Autoridade
Portuária de Santos (APS), responsável pela administração do Porto Organizado
de Santos, intensificou as ações de preparação para uma eventual ocorrência de
Doença pelo Vírus Ebola (DVE) em embarcações procedentes do exterior.
A iniciativa ocorre
diante do surto de doença causada pelo vírus Bundibugyo, identificado na
República Democrática do Congo e em Uganda. Em 17 de maio de 2026, a
Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o evento constituía uma
Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), conforme o
Regulamento Sanitário Internacional. Na mesma decisão, a organização informou
que o evento não preenchia os critérios para ser classificado como uma
emergência pandêmica.
O trabalho no Porto
de Santos é conduzido em parceria com o Grupo de Vigilância Epidemiológica
(GVE) de Santos, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, e com
a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
As ações incluem
treinamentos para profissionais que atuam no ambiente portuário e o
fortalecimento da integração entre as instituições responsáveis pela resposta a
eventuais emergências de saúde pública.
Segundo a APS, o
protocolo também foi apresentado às equipes técnicas de outros municípios da
Baixada Santista, com o objetivo de ampliar o alinhamento regional para uma
eventual resposta coordenada.
Doença pelo Vírus Ebola (DVE)
O surto em curso é
causado pelo vírus Bundibugyo, uma das espécies de vírus do gênero Ebolavirus.
A OMS informou que o surto foi oficialmente declarado na República Democrática
do Congo em 15 de maio, após confirmação laboratorial de casos na província de
Ituri. Uganda também registrou casos relacionados ao surto.
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| Distribuição de casos confirmados acumulados pelo vírus bundibugyo até 15 de julho na república Democrática do Congo e até 17 de Julho em Uganda - Divulgação OMS |
A situação evoluiu rapidamente.
Em 15 de julho, a OMS registrava 2.124 casos confirmados e 828 mortes na
República Democrática do Congo. Em Uganda, não havia novos casos desde 21 de
junho, e o último paciente havia recebido alta em 16 de julho.
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| Número decasos confirmados (2.124) até 15 de julho, por data de notificação na República democrática do Congo - Divulgação OMS |
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| Número decasos confirmados (20) até 17 de julho, por data de notificação em Uganda - Divulgação OMS |
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| Número de óbitos (828) entre os casos confirmados, até 15 de julho, por data de notificação, na República Democrática do Congo - Divulgação OMS |
A OMS avaliou que o risco permanecia elevado nas áreas afetadas e ressaltou a necessidade de vigilância, preparação e resposta, inclusive diante da possibilidade de propagação para outras regiões.
Praticagem
No final de junho, profissionais da Praticagem participaram de treinamento sobre o uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI) Universal Mínimo, destinado a situações em que o prático precise embarcar em um navio com suspeita de DVE.
A atividade combinou
demonstração prática e atualização técnica sobre a doença, incluindo informações
sobre epidemiologia, formas de transmissão, sinais clínicos e medidas de
prevenção.
Plano de Contingência
No início de julho,
foi a vez das equipes das clínicas médicas que atuam na área portuária
participarem das atividades.
Além da revisão dos
aspectos gerais da doença e da demonstração dos procedimentos de colocação e
retirada dos EPIs, os participantes conheceram o Anexo IV do Plano de
Contingência do Porto de Santos para Eventos de Saúde Pública.
O documento
estabelece procedimentos de resposta para a DVE em dois cenários: atendimento
de caso suspeito a bordo e resposta a eventual óbito suspeito durante a viagem.
Segundo a APS, novos
treinamentos estão previstos e deverão envolver outros segmentos da comunidade
portuária.
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