![]() |
| Vista aérea de navio atracado no Porto de Santos - Foto: Amanda Perobelli/Reuters |
Delegado chefe da Polícia Federal de Santos aponta a
tecnologia é uma forte aliada no combate ao tráfico internacional de drogas
A atuação da Polícia
Federal no Porto de Santos (SP), o maior da América Latina, esbarra em desafios
que vão desde a geografia extensa até a sofisticação do crime organizado. Com
área marítima de aproximadamente 500 km², a região exige ações preventivas, uso
de tecnologia e estratégias de descapitalização para frear o tráfico internacional
de drogas.
Ao Terra, o chefe da
Polícia Federal de Santos, Rodrigo Perin Nardi, explica que um dos
dificultadores e o principal ponto é a própria geografia da região. O porto
santista é o principal do Brasil em valores de cargas movimentadas - mais de
134 milhões de toneladas por ano -, e responsável historicamente por no
mínimo 25% do comércio exterior brasileiro. São cerca de 14 quilômetros
extensão em ambas as margens, de Santos e de Guarujá, para comportar toda essa
atividade.
“O próprio ponto que
os navios ficam aguardando a autorização para poder adentrar no porto, uma
extensão territorial considerável de 500 km² praticamente”, exemplifica. Em
algumas situações, a polícia fica condicionada às questões marítimas, nem
sempre favoráveis ao trabalho policial.
Experiente em operações estratégicas, Nardi elenca a originalidade dos criminosos como o maior desafio da PF na atuação contra o crime organizado. Anos atrás, era mais comum ocorrer apreensões em contêineres, ou até mesmo, de drogas acopladas em cascos de navio. Mas conforme a polícia passa a realizações mais interceptações nesses tipos de conduta, as facções mudam o modus operandi e passam a atuar de outra forma. “É sempre aquela briga, ‘de gato e rato’”, pontua.
"Se eu
dificulto de uma ponta, eles vão procurar sempre ficar inovando. Mas a gente
tem notado mesmo a utilização de pequenas embarcações. Até o ano passado,
chegamos a deflagrar uma operação emergente, que culminou na prisão de um
indivíduo, tudo indica que estava ligado ao PCC lá na Europa, mas
especificamente em Portugal", exemplifica ao mencionar a apreensão de um
submarino caseiro.
![]() |
| Terminal do Porto de santos - foto: Wikicommons |
É aí que o trabalho
preventivo se mostra bastante eficiente no combate ao tráfico internacional de
drogas. Nesse ponto, atua o serviço de inteligência da Polícia Federal,
apurando denúncias, investigando suspeitos e realizando atividades de
conscientização de todos os que atuam na região portuária.
Tecnologia ajuda no dia-a-dia
A tecnologia é uma
aliada no combate do tráfico de drogas, para além de toda a competência e
experiência dos agentes na prática. A Polícia busca sempre estar um passa à
frente das facções e quadrilhas, seguindo todo um regramento, desde tratado
internacional até normas internas, tudo dentro da legalidade.
“A gente sempre
procura fazer um trabalho preventivo de conscientização, solicitando até a
utilização de tecnologias, com a implementação de câmeras de segurança
principalmente. Isso vem facilitando a atuação da Polícia Federal e inibindo
também um pouco a prática do tráfico na região do Porto de Santos”, destaca.
![]() |
| Rodrigo Perin Nardi - Chefe da Polícia Federal - Foto: Vanessa Ortiz/Terra |
Quando Nardi se
refere ao trabalho de prevenção, ele destaca para a prisão dos envolvidos na
prática e também em evitar que a droga saia do território nacional também é um
trabalho de prevenção. Nesse bolo também entra a descapitalização dessas
organizações ilícitas, pois é dali que sai todo o dinheiro que financia toda
uma cadeia de crimes.
“O poderio econômico
ali acaba deixando, muitas vezes, eles à frente da nossa atuação, mas isso não
é impeditivo, tanto que a Polícia Federal vem de tempos em tempos procurando bater
recordes em apreensões, na descapitalização, que ao meu ver é muito mais
importante do que a própria apreensão de drogas”, destaca.
“Acaba sendo um
ponto de extrema importância para a gente coibir de uma forma mais eficaz esse
tipo de crime”, complementa ao frisar que o poder econômico dessas
organizações conta muito na própria logística. “Então, como transportar a droga
de uma forma mais segura? Vai precisar de um investimento maior”, explica.
Como exemplo, ele
cita o caso do contador Rodrigo Morgado, preso em abril e novamente em outubro
do ano passado por suspeita de lavagem de dinheiro com o uso de bets vinculado
ao tráfico internacional de drogas, em uma investigação conduzida por São
Paulo.
“Ele levou uma
quantia vultosa de dinheiro, aparentemente pelas investigações aqui, dinheiro
mesmo relacionado ao crime organizado. Então, essa descapitalização é de suma
importância para a gente poder deixar mais fracas essas organizações
criminosas, tirar o poderio para tentar inibir esse tipo de crime”, finaliza.
Autor/Fonte: Vanessa Ortiz/Terra
* Esclarecemos que a a publicação é de inteira responsabilidade do autor e do veículo que a divulgou. A nossa missão ao republicar é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor. O espaço está aberto para a manifestação das pessoas e empresas citadas nesta reportagem.








-ure1i83nt8bp.jpg)



