Quando
a Receita encontra drogas, a PF deve ser chamada imediatamente, o que policiais
também dizem que não tem ocorrido
O diretor-geral da Polícia Federal
(PF), Andrei Rodrigues, diz que PF e Receita Federal do Brasil (RFB) devem
atuar juntas para preservar provas em investigações criminais. Divergências
internas são pontuais e as cúpulas trabalham em um protocolo, frisa ele em
entrevista ao UOL.
Como mostrou o UOL, há atritos entre
as instituições em portos e aeroportos, sobretudo em apreensões de drogas.
A PF investiga casos de possível
quebra de procedimentos e usurpação de função por servidores da Receita, que
teriam avançado sobre atribuições da polícia e deixado de acioná-la.
Órgãos tentam reduzir atritos
As cúpulas dos órgãos têm trabalhado
para superar as divergências e reforçar as regras de atuação, que preveem que a
Receita cuida da atividade aduaneira e a PF, de combate ao crime.
O principal problema é que alguns
servidores da Receita têm feito ações controladas e investigações sobre tráfico,
o que, segundo a PF, não é sua atribuição.
Além disso, quando a Receita encontra
drogas, a PF deve ser chamada imediatamente, o que policiais também dizem que
não tem ocorrido.
“Historicamente, a Polícia Federal
trabalha com vários parceiros, várias agências, com a Receita; com o Coaf; com
a CGU; com o Banco Central, e com as outras polícias, federais e estaduais. Com
a Receita, da mesma forma, a gente tem operação com apoio da Receita toda
semana”, Andrei Rodrigues.
“O que nós não podemos fazer é gerar
nulidades nos processos, gerar ilegalidades, violar direitos fundamentais,
desvirtuar a função das instituições, usurpar funções uns dos outros”.
Ajuste de procedimentos
A RFB e a PF montaram um grupo de
trabalho, por ordem do TCU, após tribunal apontar risco de nulidades em
investigações de tráfico por falta de regras conjuntas em áreas alfandegadas.
Os grupos têm até o final do mês para
apresentar uma proposta de portaria conjunta para estabelecer um procedimento
nas áreas alfandegadas.
“Só tem uma agência brasileira com
competência, por exemplo, para investigar tráfico internacional de drogas e
armas, que se chama Polícia Federal”.
“Quem fizer investigação dessa
temática vai gerar uma nulidade processual, mais ainda se for uma agência que
não é polícia. Só pode fazer investigação de polícia judiciária agência
policial, polícia federal ou polícia civil, e, por decisão do STF, o Ministério
Público, com os GAECOs.“
“Então, por exemplo, se a Receita
Federal, na sua atividade aduaneira, encontrar drogas dentro de um contêiner,
dentro de uma mala, ela não pode fazer nada mais do que olhar e chamar a
polícia, a polícia judiciária. Até porque tem também a preocupação com a cadeia
de custódia.“
”Não pode, qualquer um que não seja
da polícia judiciária, pegar esse material, tirar do lugar, retirar do
ambiente, interrogar pessoas. Não pode fazer. Então é o nosso desafio.
Construir um modelo que a gente consiga que cada agência, cumprindo a sua
função, trabalhe em harmonia e tenha o melhor resultado.“
Diretor minimiza conflito e cita casos pontuais
Questionado sobre a origem do
problema, o diretor da Polícia Federal nega a existência de uma disputa entre
RFB e PF e diz ter havido apenas uma extrapolação de funções em um pequeno
grupo.
“Não sei se é um grupo, se são
algumas pessoas, enfim, que querem fazer papéis que não são da sua instituição.“
”E vamos ser pragmáticos e objetivos
aqui. Houve a gravação de programas de televisão dentro de área de segurança
aeroportuária. Quem cuida de segurança aeroportuária, está na Constituição, é a
Polícia Federal”.
”Nós não vamos permitir que se
exponham pessoas, que se exponham métodos, que se exponha a intimidade dos
trâmites dessa área de segurança para o grande público. Nosso esforço é um
protocolo que atenda o interesse público”, afirmou Andrei Rodrigues.
Autor/Fonte: Natália Portinari - UOL
* Esclarecemos que a a publicação é de inteira responsabilidade do autor e do veículo que a divulgou. A nossa missão ao republicar é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor. O espaço está aberto para a manifestação das pessoas e empresas citadas nesta reportagem.












