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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

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POLÍCIA JUDICIARIA DE PORTUGAL APREENDE 2.627 KG DE COCAÍNA E INVESTIGA A ORIGEM DA DROGA


O responsável da PJ afirmou que os logotipos estampados nos tabletes de cocaína podem fornecer elementos para identificar a origem

A Polícia Judiciária (PJ) de Portugal informou, no último sábado (27), a apreensão de 2.627 quilos de cocaína transportados em uma embarcação de alta velocidade interceptada em águas internacionais, a cerca de 50 milhas náuticas a sudoeste do Cabo Espichel.

A ação, batizada de “Operação Buongiorno", foi conduzida pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária, em articulação com a Marinha Portuguesa, a Autoridade Marítima Nacional, por meio da Polícia Marítima, e a Força Aérea Portuguesa.

Segundo a PJ, a ação permitiu desarticular um grupo criminoso investigado por introduzir grandes carregamentos de cocaína no continente europeu utilizando embarcações de alta velocidade (EAV).

Cooperação internacional

De acordo com as autoridades italianas, a operação foi coordenada pela Direção Distrital Antimáfia (DDA) de Brescia e contou com a participação da Guardia di Finanza, em cooperação com autoridades portuguesas e espanholas.

A interceptação foi precedida de monitoramento aéreo realizado por aeronaves italianas especializadas em vigilância marítima.

Também participaram equipes do Comando Operacional Aeronaval e do Serviço Central de Investigação sobre a Criminalidade Organizada (SCICO), da Guardia di Finanza.

Abordagem

Segundo João Oliveira, responsável pela Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária, a embarcação foi interceptada na quinta-feira (23).

Durante entrevista coletiva realizada na sede da PJ em Lisboa, juntamente com responsáveis da Marinha e da Força Aérea, o investigador informou que havia indícios da presença de outras embarcações na mesma área marítima, mas que as equipes optaram por abordar aquela que apresentava maiores indícios de transportar drogas.

O comandante da Marinha Portuguesa, Ricardo Sá Granja, informou que a tripulação desobedeceu à ordem inicial de parada, o que deu início a uma perseguição: “Houve uma primeira ordem de paragem que não foi respeitada e seguiu-se uma perseguição por parte de duas embarcações da Polícia Marítima, que culminou na detenção dos suspeitos”.

Segundo o comandante, a lancha possuía quatro motores de 400 cavalos de potência cada, capazes de proporcionar velocidade superior a 100 km/h.

Elisabete de Carvalho, da Força Aérea Portuguesa destacou a cooperação interagências e a partilha de informação "que permitiram o sucesso de toda a operação", sem adiantar detalhes.

Além da droga, foram apreendidos equipamentos de navegação e outros materiais utilizados no transporte da carga ilícita.

Detidos

Foram presos quatro homens: dois cidadãos espanhóis, um cidadão britânico oriundo de Gibraltar e um cidadão albanês residente na Itália, com idades entre 35 e 42 anos.

Os suspeitos foram apresentados à Justiça portuguesa para o primeiro interrogatório judicial.

João Oliveira informou ainda que um dos presos já era conhecido da Polícia Judiciária por investigações anteriores relacionadas ao tráfico marítimo de cocaína, sem revelar sua identidade.

Origem da droga

Durante a coletiva, João Oliveira afirmou que os logotipos estampados nos tabletes de cocaína podem fornecer elementos para identificar a origem da droga.

Segundo ele:

"É cocaína que vem da América do Sul e os produtores costumam colocar uma marca, um timbre, uma chancela da sua produção."

O investigador ressaltou, entretanto, que não divulgaria detalhes sobre essas marcas para não comprometer as investigações em andamento.

Até o momento, as autoridades portuguesas não confirmaram oficialmente o país de origem da cocaína.

Valor estimado

Segundo João Oliveira, ainda não foi possível determinar o grau de pureza da droga.

Apesar disso, a experiência da Polícia Judiciária indica que a carga apresentava elevado grau de pureza, em razão da forma de acondicionamento, da rota utilizada e do meio empregado para o transporte.

Segundo as autoridades italianas, o preço de compra tem um valor de mercado estimado em cerca de 78 milhões de euros (aproximadamente R$ 453 milhões).

Segundo essa mesma estimativa, caso fosse distribuída no mercado varejista europeu, poderia alcançar aproximadamente 500 milhões de euros (cerca de R$ 2,9 bilhões).

Investigação

Segundo a Polícia Judiciária, a investigação teve início a partir de informações compartilhadas pelo Maritime Analysis and Operations Centre – Narcotics (MAOC-N), no âmbito da cooperação internacional e em estreita colaboração e articulação com as autoridades policiais da Itália.

As diligências permitiram acompanhar a movimentação da embarcação até a interceptação em alto-mar.

As autoridades também afirmaram que organizações criminosas têm recorrido cada vez mais ao uso de embarcações de alta velocidade, normalmente entre 10 e 16 metros de comprimento e equipadas com diversos motores de alta potência, capazes de atingir velocidades superiores a 70 nós (cerca de 130 km/h), o que dificulta a atuação das forças de segurança.


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