O objetivo é posicionar o maior complexo portuário do
hemisfério sul como um "Porto Inteligente" (Smart Port)
O Porto de Santos
vive um momento de transformação estratégica, que une inovação tecnológica e
responsabilidade ambiental. Alinhada às diretrizes do Ministério de Portos e
Aeroportos (MPor) para modernizar a infraestrutura nacional, a Autoridade
Portuária de Santos (APS) está tirando do papel um pacote de projetos que
inclui desde a implantação de redes 5G e Gêmeos Digitais (Digital Twin) até a
oferta de energia limpa para navios atracados.
O objetivo é
posicionar o maior complexo portuário do hemisfério sul como um "Porto
Inteligente" (Smart Port), seguindo as melhores práticas internacionais de
eficiência logística e transição energética.
Para o ministro de
Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, as inovações em andamento provam ser
possível alinhar desenvolvimento e responsabilidade ambiental. "O que
estamos vendo em Santos é a materialização do conceito de 'Porto do Futuro'.
Não existe mais separação entre crescer e preservar. Ao investir em tecnologia
de ponta, como o 5G e em energia limpa, o governo federal prova que é possível
ter o maior porto do Hemisfério Sul operando com máxima eficiência logística e,
ao mesmo tempo, liderando a agenda global de descarbonização", disse.
Já o secretário
nacional de Portos, Alex Ávila, destaca o salto de qualidade operacional que as
novas ferramentas trarão para a gestão do complexo. "A implementação do
VTMIS e das ferramentas de Gêmeo Digital muda o patamar de gestão do Porto de
Santos, trazendo previsibilidade e segurança para a navegação. Estamos dotando
o principal ativo logístico do país com inteligência de dados e infraestrutura
sustentável, alinhando nossas operações às práticas dos portos mais avançados
da Europa e da Ásia", avaliou.
Monitoramento digital e conectividade
Um dos pilares dessa
modernização é a segurança e a fluidez da navegação. A APS está com o processo
de contratação em andamento para a implantação do VTMIS (Vessel Traffic
Management Information System). O sistema funciona como uma "torre de
controle" para o mar: usando radares, câmeras e sensores, ele permite o
monitoramento em tempo real do tráfego de embarcações, aumentando a segurança e
a eficiência das manobras no canal de acesso.
Essa gestão de dados
será potencializada por uma rede privativa 5G e pela tecnologia de Gêmeo
Digital. A ferramenta cria uma réplica virtual dinâmica do porto, permitindo
simular cenários operacionais, prever manutenções e otimizar o fluxo logístico
com base em dados precisos, reduzindo gargalos e custos para o setor produtivo.
Logística de baixo carbono
A tecnologia caminha
de mãos dadas com a sustentabilidade. O Porto de Santos avança no projeto de
eletrificação do cais (o sistema Onshore Power Supply). A iniciativa permitirá
que navios desliguem seus motores a combustão enquanto estiverem atracados,
conectando-se à rede elétrica do porto. Isso reduz drasticamente a emissão de
gases de efeito estufa e o ruído na região portuária.
O diferencial de
Santos é a origem dessa energia: ela é 100% renovável, gerada pela histórica Usina
Hidrelétrica de Itatinga, ativo gerido pela própria autoridade portuária. A
usina passa por um processo de repotencialização, que inclui estudos para a
produção de hidrogênio verde (H2V), combustível do futuro, que poderá abastecer
máquinas e veículos no complexo.
Incentivo verde
Para estimular o
mercado a aderir a essa nova realidade, o porto também aposta em incentivos
econômicos. A APS prorrogou e ampliou a política de descontos tarifários para
os chamados "navios verdes"; embarcações que possuem boa pontuação no
Índice Ambiental de Navios (ESI, da sigla em inglês). A medida beneficia
armadores que investem em frotas menos poluentes, reforçando o compromisso do
governo federal com a descarbonização da cadeia logística.
Para o Ministério de
Portos e Aeroportos, as iniciativas em Santos servem de modelo para o setor,
provando que é possível conciliar o aumento da movimentação de cargas com a
proteção ambiental e a inovação tecnológica.
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