Investigado
é apontado por facilitar processos alfandegários em benefício de empresários na
região
Um ex-chefe da Receita Federal do
Brasil (RFB) em Itajaí, cidade que abriga um dos maiores portos do Brasil, é
investigado por facilitar processos alfandegários em benefício de empresários e
causado R$ 10 milhões em prejuízos. Marcus Vinícius Nali Simioni foi alvo de operação
da Polícia Federal na última terça-feira (2).
Ao todo, foram cumpridos 19 mandados
de busca e apreensão em Santa Catarina e São Paulo em endereços vinculados ao
servidor investigado, familiares e pessoas físicas e jurídicas ligadas ao
comércio exterior.
A operação foi batizada de
"Benaia" e também cumpre ordem de afastamento de funções públicas do
servidor público envolvido no esquema. O g1 tenta localizar a defesa dele.
Balanço parcial das apreensões, divulgado às 18h:
- 15 relógios de luxo
- 25 imóveis
- Aproximadamente 19 veículos
- R$ 515 mil
- 10 notebooks e 4 HDs
- 15 celulares.
Além disso, foram bloqueadas 65 contas bancárias de diversas instituições financeiras. Foi encontrado registro de conta no exterior e localizados contratos imobiliários de gaveta. A operação contabiliza os valores apreendidos em moeda estrangeira.
Investigação
Conforme a Receita Federal, as
investigações começaram na corregedoria do órgão que suspeitou da
incompatibilidade entre o padrão de vida de Marcus e a remuneração oficial
dele.
Também foram apurados indícios que
indicam eventual favorecimento a intervenientes aduaneiros e o recebimento de
vantagem indevida em razão dessas relações.
Segundo a PF, o suspeito possuía
poder para facilitar processos no órgão devido ao cargo que exercia e recebeu,
indevidamente, ao menos R$ 2 milhões para agir em favor de empresários nos
processos alfandegários.
Em nota, a Receita Federal afirmou
que o montante suspeito de vantagens recebidas, direta ou indiretamente, supera
os R$ 5 milhões.
"As investigações apontam que
despachantes, consultorias, empresas importadoras e operadores logísticos
poderiam fazer parte do esquema, que teria resultado em vantagens recebidas,
direta ou indiretamente, pelo servidor. Os valores teriam sido repassados através
de pagamentos em dinheiro, depósitos e pagamento de despesas pessoais, como
aluguéis, faturas de cartão e aquisição de bens", disse.
Com o aprofundamento das
investigações, os policiais federais descobriram que o suspeito possuía
empresas em nome de familiares e as utilizava para dissimular, ocultar e dar
aparência de legalidade aos valores recebidos.
Os crimes investigados são crimes de
corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Quem é o ex-chefe da Receita Federal alvo de operação?
Graduado em direito e comunicação
social, Marcus é auditor-fiscal da Receita Federal e tomou posse como chefe do
órgão em Itajaí em maio de 2022, permanecendo na função até 2025.
O que disse a Receita Federal sobre a ação
A Receita Federal destaca que a
integridade é um valor precioso e inegociável e atua de forma contínua na
identificação e repressão a condutas que atentem contra a ética no serviço
público, contribuindo para um ambiente de negócios mais justo e transparente.
A participação de despachantes,
operadores logísticos e demais intervenientes em esquemas como este prejudica
enormemente a regularidade da fiscalização aduaneira, fragilizando a segurança
relacionada ao controle de cargas e criando uma concorrência desleal em relação
aos operadores do comércio exterior que atuam na legalidade.
Autora/Fonte: Por Caroline Borges, g1SC
* Esclarecemos que a a publicação é de inteira responsabilidade do autor e do veículo que a divulgou. A nossa missão ao republicar é manter informado àqueles que nos acompanham, de todos os fatos, que de alguma forma, estejam relacionados com a Segurança Portuária em todo o seu contexto. A matéria veiculada apresenta cunho jornalístico e informativo, inexistindo qualquer crítica política ou juízo de valor. O espaço está aberto para a manifestação das pessoas e empresas citadas nesta reportagem.














