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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

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ADVOGADO DE SANTOS É SUSPEITO DE OPERAR ESQUEMA DE COCAÍNA LIGADO À MÁFIA ITALIANA; JUSTIÇA DECRETA PRISÃO

O Advogado Patrick Raasch Cardoso (ao centro) citado por operar esquema de cocaína ligado à máfia italiana chefiada no Brasil por Nicola Assisi (à esq.) e Patrick Assisi (à dir.) — Foto: Arquivo pessoal e Divulgação/Polícia Federal

PF aponta que Patrick Raasch Cardoso atuava em funções financeiras, patrimoniais e de comunicação de grupo ligado à ’Ndrangheta e ao tráfico de cocaína para a Europa.

A Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, decretou a prisão preventiva do advogado Patrick Raasch Cardoso, com endereço em Santos, no litoral de São Paulo. Ele é investigado por suspeita de integrar uma organização criminosa ligada à máfia italiana ’Ndrangheta e envolvida no tráfico internacional de cocaína entre o Brasil e a Europa, principalmente pelo Porto de Paranaguá (PR).

A investigação conduzida pela Polícia Federal aponta que Cardoso teria exercido papel operacional no grupo, administrando questões financeiras e patrimoniais e ajudando a manter a comunicação da suposta organização após a prisão do italiano Nicola Assisi e do filho dele, Patrick Assisi, em 2019. O advogado é sócio de um escritório de advocacia que, segundo a decisão, defendeu os Assisi.

O advogado Eugênio Malavasi, que faz a defesa de Patrick Raasch Cardoso, afirmou que ainda não tem informações sobre a decisão, mas disse que o cliente se declara inocente e que provará sua versão durante a instrução processual.

Tráfico de cocaína ligado à máfia italiana

Nicola e Patrick Assisi são apontados pela investigação como integrantes do núcleo responsável por estruturar no Brasil um esquema de tráfico de cocaína ligado à ’Ndrangheta.

Os dois foram presos pela PF em Praia Grande (SP), em 8 de julho de 2019, durante a Operação Retis, em cumprimento a mandados de prisão para fins de extradição expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Itália.

Segundo a PF, o grupo é relacionado a pelo menos 11 apreensões realizadas entre 2019 e 2020, que somaram mais de 4,6 toneladas de cocaína destinadas à Europa. Cerca de 2,1 toneladas foram apreendidas antes da prisão de Nicola e Patrick Assisi. A investigação aponta que o esquema continuou operando após as prisões.

Além de Patrick Raasch Cardoso, a Justiça decretou a prisão preventiva de outras seis pessoas, além do bloqueio de bens e valores e o sequestro de imóveis dos investigados.

Segundo a PF, os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, além de outros delitos que possam ser identificados durante a investigação.

O que a investigação atribui ao advogado

Segundo a PF, Patrick Raasch teria exercido, paralelamente à atividade de advogado, funções operacionais, financeiras e patrimoniais dentro do grupo. A investigação também atribui a ele a intermediação de contatos após a prisão de Nicola e Patrick Assisi, em 2019.

Entre os elementos citados na decisão estão depoimentos de Vincenzo Pasquino, descrito como colaborador da investigação e antigo associado dos Assisi. Ouvido pela PF na Itália em abril de 2025, ele forneceu informações sobre integrantes e funções dentro do esquema e citou Raasch em seus relatos.

A investigação também cita comunicações analisadas pela PF para sustentar que Raasch teria permanecido ligado à estrutura, intermediando contatos e participando de questões financeiras e patrimoniais. A decisão judicial considerou que havia indícios suficientes para autorizar medidas cautelares contra ele.

Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou busca e apreensão em um endereço ligado a Raasch no bairro Porto da Praia, em Santos, além do bloqueio de bens móveis, imóveis, contas e aplicações financeiras. Também foi autorizada a análise dos equipamentos apreendidos, observadas as prerrogativas da advocacia.

Operação Eredità

A Operação Eredità apura a continuidade de um esquema de tráfico internacional de cocaína que, segundo a PF, utilizava principalmente o Porto de Paranaguá para enviar drogas à Europa e mantinha ligação com integrantes da ’Ndrangheta. A investigação reúne elementos de apurações anteriores, entre elas as operações Retis e Spiderweb.

A ação foi conduzida por uma Equipe Conjunta de Investigação formada por autoridades do Brasil e da Itália entre 2020 e 2025. Do lado brasileiro, participaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Na Itália, integraram o trabalho o Departamento Anticrime de Turim do ROS Carabinieri e o Ministério Público de Turim.

Fonte: g1 Santos e Região


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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

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JUSTIÇA CONDENA EMPRESA POR TRABALHO IRREGULAR EM PORÕES DE NAVIOS NO PORTO DE SANTOS

Empresa e responsável são condenados por contratação sem registro e prestação de serviços sem credenciamento da autoridade portuária

A Justiça do Trabalho condenou a Mundial Marítima Serviços Ltda. e seu responsável, Charly Gueiros Pereira, por irregularidades na contratação e utilização de trabalhadores em serviços de limpeza de porões de embarcações no Porto de Santos, litoral de São Paulo.

A decisão foi proferida pela 2ª Vara do Trabalho de Santos, em Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), após investigação que apontou a atuação da empresa sem o credenciamento exigido pela Autoridade Portuária de Santos e o descumprimento de normas trabalhistas e de saúde e segurança.

Investigação

Segundo o MPT, a apuração reuniu fiscalizações trabalhistas, documentos da Autoridade Portuária de Santos, registros de acesso ao porto, contratos comerciais, relatórios produzidos pela própria empresa e depoimentos colhidos durante o processo.

Autos de infração lavrados por auditores do trabalho identificaram dezenas de trabalhadores que atuaram na limpeza de porões entre outubro de 2023 e janeiro de 2025 sem registro em carteira, além da ausência de recolhimentos trabalhistas e previdenciários e de outras garantias previstas na legislação.

De acordo com o MPT, os trabalhadores eram classificados pela empresa como “eventuais” ou “freelancers”.

A investigação também apontou que a Mundial Marítima não possuía autorização para realizar a limpeza de porões e que trabalhadores vinculados à empresa acessavam embarcações e áreas portuárias utilizando credenciais vinculadas a outras empresas credenciadas, que subcontratavam esses profissionais. Documentos produzidos pela própria Mundial Marítima registraram a realização de serviços para diferentes embarcações e contratantes entre 2022 e 2024.

Segundo o MPT, as normas da Autoridade Portuária de Santos estabelecem que a lavagem de porões de navios graneleiros deve ser realizada por empresas credenciadas ou pela tripulação da embarcação.

Durante depoimento judicial, Charly Gueiros Pereira admitiu não possuir o credenciamento e afirmou que organizava diretamente as equipes de trabalhadores e encaminhava os nomes aos contratantes.

Riscos à segurança

Para o MPT, a forma de contratação identificada criou uma cadeia irregular de fornecimento de mão de obra para uma atividade considerada de risco, realizada em espaços confinados, frequentemente em altura e com exposição a produtos químicos e outros agentes nocivos.

A investigação identificou, segundo o órgão, ausência de exames médicos admissionais, falta de comprovação de treinamentos obrigatórios e fornecimento inadequado de equipamentos de proteção individual (EPIs), além de descumprimento de normas regulamentadoras relacionadas ao trabalho em altura e em espaços confinados.

O MPT afirmou ainda que a atuação irregular poderia reduzir artificialmente os custos da prestação do serviço e gerar concorrência desleal em relação às empresas que cumprem as obrigações trabalhistas e as exigências de segurança.

Condenação

Ao julgar a Ação Civil Pública, a 2ª Vara do Trabalho de Santos reconheceu a ilicitude das condutas atribuídas aos réus, incluindo a prestação de serviços sem o credenciamento da Autoridade Portuária e o descumprimento de normas trabalhistas e de saúde e segurança.

A sentença condenou a Mundial Marítima Serviços Ltda. e Charly Gueiros Pereira ao pagamento de R$ 150 mil por dano moral coletivo.

A decisão também determinou que os réus se abstenham de prestar, intermediar ou subcontratar serviços de limpeza de porões sem o devido credenciamento e sem o cumprimento das exigências legais e de segurança.

Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa de R$ 5 mil por infração comprovada. O valor da indenização será destinado ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Empresa e responsável não se manifestaram

A Mundial Marítima Serviços Ltda. não apresentou manifestação para a reportagem. A defesa de Charly Gueiros Pereira também não havia se pronunciado até a publicação da notícia.


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